- M. Anunciación Pérez (Dr. I. Agrónomo Y Lic. T. Alimentos)
- Salutef
Introdução
Durante décadas, demonstrou-se que o glúten — ou proteínas semelhantes como as hordeínas da cevada e as secalinas do centeio — presente em alimentos elaborados a partir de trigo, cevada, centeio, aveia ou espelta não é adequado para uma parte significativa da população.
Entre os mais afetados encontram-se bebés nos primeiros meses de vida e adultos de todas as idades que desenvolvem hipersensibilidade ao glúten, que pode manifestar-se como intolerância ao glúten ou doença celíaca.
O que é a doença celíaca?
A doença celíaca e a sua forma cutânea, a dermatite herpetiforme, são condições provocadas por uma resposta imunitária anormal ao glúten.
Quando uma pessoa com doença celíaca consome alimentos que contêm glúten (ou que estiveram em contacto com ele), a mucosa do intestino delgado sofre danos. Num intestino saudável, as vilosidades intestinais são estruturas microscópicas que maximizam a absorção de nutrientes. No entanto, em pacientes celíacos, estas vilosidades atrofiam e deterioram-se, impedindo a absorção adequada de nutrientes essenciais.
O que acontece no intestino?
As proteínas do glúten, especialmente as gliadinas e gluteninas, desencadeiam uma resposta imunitária que provoca:
- Dano progressivo nas vilosidades intestinais
- Redução da absorção de nutrientes como vitaminas, ferro e cálcio
- Sintomas clínicos que podem variar desde má absorção até anemia e fadiga crónica
Este impacto explica por que muitos pacientes celíacos apresentam deficiências nutricionais, mesmo quando a ingestão alimentar parece adequada.
Quantas pessoas têm doença celíaca?
A prevalência da doença celíaca tem aumentado nas últimas décadas em toda a Europa. Em Espanha, estima-se que ultrapasse os 500.000 casos diagnosticados, com variações entre países europeus, incluindo Portugal e outras regiões da União Europeia.
Embora possa surgir em qualquer idade, existem dois períodos mais frequentes de diagnóstico:
- Entre os 6 e 10 anos de idade
- Entre os 20 e 40 anos, onde muitos pacientes provavelmente já tinham a doença desde a infância, mas sem sintomas claros até essa fase
Existe tratamento para a intolerância ao glúten?
Atualmente, não existe um medicamento que cure a intolerância ao glúten nem a doença celíaca. A única intervenção eficaz é seguir uma dieta rigorosamente sem glúten ao longo de toda a vida.
Uma alimentação sem glúten bem planeada pode exigir, em alguns casos, suplementação de:
- Ferro
- Vitaminas
- Minerais
Isto é especialmente importante em fases de défice nutricional ou em populações vulneráveis.
O que significa “sem glúten” nos alimentos?
Na Europa, a regulamentação alimentar exige que os produtos rotulados como “sem glúten” cumpram os limites estabelecidos pelo Codex Alimentarius e pelas normas comunitárias.
Existem duas categorias principais:
🟡 Farinhas processadas como “sem glúten”
Podem conter até 200 partes por milhão (ppm) de glúten, segundo o Codex Alimentarius.
👉 Para muitos pacientes celíacos, 200 ppm ainda é demasiado e pode provocar sintomas.
🟢 Produtos naturalmente sem glúten
São aqueles que não contêm glúten na sua origem e cuja quantidade residual não ultrapassa 20 ppm.
Este limite é recomendado por organizações como:
- AOECS (Associação das Associações de Celíacos da Europa)
- Regulamentação europeia de alimentos sem glúten
Ainda assim, estes produtos podem sofrer contaminação cruzada durante o processamento, se não forem aplicadas medidas rigorosas de controlo.
🔎 Por isso, verificar sempre o rótulo e as certificações é essencial, especialmente para pessoas altamente sensíveis.
O nosso compromisso com a qualidade e segurança
Na SALUTEF, damos máxima importância a que os nossos produtos:
- Não estejam contaminados com glúten ≥ 20 ppm
- Cumpram padrões rigorosos de controlo de qualidade
- Incluam certificação oficial “sem glúten”
Atualmente trabalhamos com a certificação do Sistema de Licença Europeu (ELS), de acordo com o AOECS Standard For Gluten Free Foods, reconhecida pela Federação de Associações de Celíacos de Espanha (FACE).
Os números de licença (ex.: ES-0176-XXX) permitem utilizar legitimamente o símbolo “Sem Glúten” na rotulagem, garantindo transparência e segurança ao consumidor.
Conclusão
A doença celíaca é uma condição crónica que requer atenção contínua. A única forma eficaz de prevenir sintomas e complicações a longo prazo é seguir uma dieta rigorosamente sem glúten, com produtos que não excedam os 20 ppm de glúten e que possuam certificação oficial.
Num contexto onde a segurança alimentar e a saúde são prioritárias, escolher produtos com controlo rigoroso e certificações reconhecidas é essencial tanto para pacientes celíacos como para famílias que procuram uma alimentação segura e livre de contaminantes.

